sábado, maio 26, 2007

E agora, Drummond?

E agora, Drummond?
João Guilherme M. M. de Almeida

Não tirei as pedras do caminho,
E nem a lua nem o conhaque me comoveram...
Não acabou a festa, minha luz não apagou!
Do meu anjo torto não tenho lembranças...
Mundo mundo vasto mundo,
Se eu vivesse em silêncio profundo,
Seria um pseudo-nada perdido na imensidão;
Mundo mudo vasto e imundo,
A maldade subjugou a rima!
Se fossem apenas as pernas...
Para que tantos olhos, meu Deus,
Perguntam os olhos meus.
Espere... Não é tempo de absoluta depuração?
Viver é uma ordem! Ordem e progresso,
Os corações secos tecem um trabalho maquiavélico.
Por que é micro e não macroeternidade?
Quem vai saber os limites da propriedade?
Para que as retinas?
Para que não esquecer?
Para que, como o que, por quê?
O coração ficou confuso e perdido,
O Não sem sentido.
O olvido insensível e a mão tangível
Pensaram que o infindo, embora lindo,
Justamente lindo, seria esquecido...
E aquele que amava aquela que amava o outro que amava
Sei lá quem que não amava ninguém,
Acabou amando a si mesmo, em jardins ilógicos...
E aquela flor que furou o tédio, o nojo, o ódio?
Ah, aquela... Virou amarela e medrosa.
E o título? Dizia isso, fazia aquilo.
E ainda é irônico, ainda desliza, ainda tem ritmo,
Ainda é brasileiro e moreno.
Ainda é, sobretudo, poeta.
Os acontecimentos, as retinas?
Fatigaram-se após o legado do mundo!
E criou-se o terreno para flores novas,
Para criação de novas chaves, para o saber do amar é.
E agora, José?
E agora, Carlos?
Quem é que se esconde?
E agora, Carlos?
José, para onde?



Para melhor entendimento leiam: (É REALMENTE ACONSELHÁVEL! VALE A PENA!)
José
Poema de sete faces
No meio do caminho
Memória
Os ombros que suportam o mundo
A flor e a náusea
Quadrilha
O Deus de cada homem
Congresso Internacional do Medo
Também já fui brasileiro
Procura da poesia

Tudo de Carlos Drummond de Andrade.

domingo, maio 13, 2007

Relatório de um vivente


Relatório de um vivente

Eu, que vim ao mundo despido e descrente,
trazendo comigo o questionamento da minha existência.
Ví o egoísmo se disseminar como praga,
e sofri as dores subjugadas aos inocentes

Amei inconsequentemente,
e despenquei das nuvens as quais subi com tanto esforço
Ví meus planos serem desmantelados
e ouvi juras de amor eterno,
que tinham validade de pouco mais de uns dias.

Cansei da chaga sangrenta que transbordava confiança platônica.
Busquei como saída a privação de sentimentos,
E passei a sofrer com o vazio da alma

Atirei-me de cara no mundo
e o mundo me atirava na cara!
Sem vergonha do ridículo,
ridicularizava a vergonha.
E descobri que rir das minhas imperfeiçoes
é mais que loucura
é mais q divino

Pobres dos que não aprenderam o que estou a aprender
Sei que o que eu sei não vale nada
se não vier anexada a imaginação

Agora sou meu próprio governo
sou minha própria igreja
e o dia só deve valer se,
apesar de saber o q nos aguarda,
ainda houver surpresa.

admito ainda temer a vida
mas a morte me é indiferente
estou fadigado de vê-la atravessar meu caminho,
sempre arrastando pessoas diferentes
em histórias tão iguais das quais a TV não cansa

ao fim só restarão lembranças
de um mundo de valores invertidos,
viciado em morbidez

ainda criarei uma nova realidade,
baseado em mais um sonho incomum,
que logo não terá espaço para mim.
E serei esquecido.

E hei de morrer como tantos outros
e como qualquer outro
levando ao meu sepulcro
a indagação de quem muito já aprendeu:

Por quê?


desenho e texto por: Neto Robatto

domingo, maio 06, 2007

Poema

Se eu fosse um poeta
Faria um lindo poema
Encheria-o de rimas
Ou palavras difíceis
Faria até poemas de amor

Mas não tenho talento
Por isso arranco da mente
Palavras perdidas no pensamento
E lanço- as contra um papel
E faço versos soltos
Que dançam em minha frente

A sim, se eu fosse um poeta
Faria um grande poema

Gabriel Santos [Bob]

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Poeminha pra não perder o costume de atualizar...

terça-feira, maio 01, 2007

Sonho

Estava eu um dia
Entrando na padaria
Um menino descalço
Estendeu-me a mão
Daria-lhe umas moedas
Mas ele falou baixinho
Tio...
Me COMPRA um Sonho?

Gabriel Bob
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Poeminha simples... mas acho que tem uma mensagem boa...

espero que gostem...