sábado, novembro 18, 2006

Açúcar ou adoçante?

Aí vai um conto meu! =]

Açúcar ou adoçante?
João Guilherme M. M. de Almeida


-Açúcar ou adoçante?
-Açúcar, por favor. Bastante açúcar.
Depois de jogar cinco colheres de açúcar em um café qualquer, a garçonete se virou e voltou para atender outros pedidos. Sem nem ao menos perguntar se a quantidade de açúcar fora ideal. O homem olhou para o café. Sorriu. Sabia que aquela mesma garçonete gorda que o servia sem vontade todos os dias, jamais errara na quantidade. Não que fosse a intenção dela, mas automaticamente ela já sabia o que fazer. Quando o homem de casaco e chapéu preto entra na loja e senta-se na mesa solitária em frente ao espelho, ele quer um café com bastante açúcar.

Já havia reparado que, embora muito polido e bem arrumado, aquele rapaz era jovem. E bonito. Todos os dias no final do tarde ele aparecia por ali e pedia um café com bastante açúcar. Claro que ela não comentava com ninguém, mas depois que o servia, ela ficava, discretamente, observando-o de longe. Ele nunca pedia mais nada. Apenas ficava ali, aproveitando o seu café doce. Depois, jogava a moeda para cima e apanhava-a com ar de suspense. Cara ou coroa? Independentemente do resultado, ele tirava mais uma nota do bolso que, somada ao valor da moeda, pagava o seu café. E muito educadamente se levantava e ia embora. Sempre que passava pela garçonete que o servia (e sempre passava), levantava o chapéu e dizia “Boa tarde!”.

Pois bem, hoje ainda estava na parte da discreta observação. Estava totalmente imersa em seus devaneios quando se deu conta de que o rapaz estava com a mão estendida no ar, fitando-a. Parou de respirar. Não podia ser! Há exatos dois anos aquele homem vinha tomar café ali, e há exatos dois anos ele jamais havia requisitado qualquer coisa além do seu café açucarado! Ficou nervosa, tensa. Aquele era um fato inédito. E coisas inéditas nem sempre eram boas. Respirou fundo, encheu o peito de coragem e foi até lá. Chegando à mesa, reparou em um papel meio amassado na mão do moço. Mas não podia ficar se atentando a isso, tinha que fazer a aparente parte dela nesta sociedade. Trabalhar.

-Pois não?
-Você já reparou em como nos acostumamos com a realidade?
-Como?
-Que não reparamos mais nas coisas comuns do dia-a-dia... Justamente porque é dia-a-dia!
-O senhor está passando bem?
-Por exemplo, você sabe a quanto tempo eu freqüento este lugar?
Claro que ela sabia que eram exatos dois anos.
-Não senhor.
-Não tem nem uma breve noção?
-Talvez um ano?
-Mais.
-Dois?
-Exatamente! Faça-me uma pergunta.
-Como assim?
-Não, faça outra! Uma mais pessoal!

Aquela era a situação mais esquisita que ela já havia presenciado. Ora, estava ela trabalhando quando, de repente, um velho cliente a chama. Um cliente que ela sempre achara interessante. Pensando que ele quisesse um outro café, ou um sanduíche, ela foi atendê-lo. Mas não, nada de café ou de lanche. Ele estava conversando. Conversando! E queria que ela lhe fizesse uma pergunta. O nervosismo ainda era intenso. O que perguntar? Qualquer coisa serviria. A primeira coisa que lhe viesse a cabeça, ela diria.
-O que tem aí nesse papel? – Disse, apontando o papel amassado.
-Um conto.

Ele ficou olhando-a. Não demonstrava nenhum indício de que diria alguma coisa. Ora, queria ele mais perguntas? Meio perdida, achou melhor prosseguir com as perguntas:
-Qual o nome dele?
-“Açúcar ou adoçante?”.

Aquilo era, sem dúvidas, o mais estranho da situação. O nome do conto era exatamente a pergunta que ela lhe fazia todos os dias.
- Por quê?
- Porque a opção é duvidosa. A escolha é decisiva.
-Ah, então é um conto sobre saúde?
-Não.
-Então qual o tema do conto? Café?
-Também não. Olha não me leve a mal, mas acho que se eu te explicasse você não entenderia.
-O senhor está me chamando de burra?
-Não necessariamente. Ser burro é diferente de ser desatento.
-Ah, então agora eu sou desatenta!
-Sem ofensas, mas você reparou quanto tempo eu fiquei com a mão estendida, para que você viesse me atender?

Ai! Se ele soubesse que a desatenção dela era por causa dele próprio! O seu rosto corou levemente.
-Não senhor. – Disse envergonhada.
-Bom, mas a questão não é essa, não é verdade?
-Se o senhor está dizendo...
-É bastante simples. – Analisava ele, meio que distraído.
-O quê?
-O conto.
-E porque eu não entenderia?
-Porque você faz parte dele.

Esse cara era maluco. Não é possível! Que conversa de doido! Como ela faria parte de um conto que ela nem sabia que existia?
-Eu sou uma personagem?
-A principal.
-Se eu não tenho condições de entender o conto, como sou a principal?
-Devido a essa sua condição, você é o foco principal do conto.
-O senhor está realmente passando bem?
-Eu te diria que sim, mesmo que não estivesse.
-Por quê?
-Pelo mesmo motivo que você põe cinco colheres de açúcar no meu café todos os dias.
-Eu faço isso porque é o meu trabalho.
-Eu nunca te disse que gostaria de exatas cinco colheres de açúcar.
-E também nunca reclamou.
-Isso quer dizer que estou satisfeito?
-Claro que sim!
-Se eu reclamasse você mudaria a quantidade?
-Lógico.
-Se não fosse uma relação comercial, e sim uma relação de amizade, você mudaria?
-Sim! Quer dizer, depende.
-Depende do quê?
-Aí o senhor iria depender da minha vontade.
-Por isso você é a personagem principal. Posso te fazer uma pergunta pessoal?
-Sinta-se a vontade.
-Você tem vontade de colocar as cinco colheres de açúcar?

Ele fitava-a com um olhar investigador. Essa era a pergunta que ele estava esperando para fazer. Essa era a pergunta que sua mente não esquecia. Tivera que escrever um conto inteiro, só para fazer aquela pergunta!

-Tenho!
-Se não tivesse, sua resposta seria essa do mesmo jeito. Entretanto, você ainda não me agradeceu.
-Agradecer pelo quê?
-Eu te fiz personagem principal.
-Quanta prolixidade!
-Por isso você é a personagem principal.
-Deseja mais alguma coisa?

Pegou uma moeda no bolso e jogou para cima. Que lado ganhara, só ele sabia. Puxou mais uma nota qualquer e a deixou junto com a moeda na mesa. Levantou-se, cumprimentou a moça levantando o chapéu e disse “Boa tarde!”. Foi-se embora.

Passaram-se duas semanas, sem que o rapaz fosse ao café. A garçonete gorda ansiava pela sua volta. Sentia saudades. Já estava pensando que ele nunca mais voltaria! Mas aí, milagrosamente, a porta se abriu e ele sentou-se em sua mesa solitária. Pediu um café.
-Açúcar ou adoçante?
-Adoçante.

A moça pôs cinco colheres de açúcar no café e voltou para atender outros clientes. O rapaz olhou o café com um brilho nos olhos. É por isso que ela era sua personagem principal. Não pôde conter um discreto sorriso.

quarta-feira, novembro 15, 2006

PROCRASTINADOR PROEMINENTE DA PROBABILIDADE

PROCRASTINADOR PROEMINENTE DA PROBABILIDADE



Vês a beleza de minha alma por dentre estes olhos ?
Imputrescível, não ? Ininteligível amor ?
Vês a aura inexaurível que acompanha meus pensamentos audaciosos ?
É a controvérsia de um fogo que há muito já se apagou

Relembro que um dia fui menos impuro
Sei que os meus olhos já mudaram de opinião
E que aquelas palavras inexoráveis estão no escuro
Mentiras assíduas de promessas ineficazes sobre uma revolução

Me lembras estes discursos farfalhantes, falsamente belos, esconjurados em longas folhas
E também aquela postura inverídica, tristemente cívica, civilizada tristeza, da dor que não arde
Dubitativo é o caminho das prováveis, incertas e eternas, quadradas esferas, escolhas
O que foi protelado com excelência gerou falsas riquezas, expulsou os valores, criou o covarde

Depois de nada, caro amigo, já não és caro como foste antes
Agora és um produto qualquer, lapidado como um diamante
Sim , foste moldado e castigado pela própria potencialidade e palavra
Lá para os teus falsos profetas, ganhaste; e para ti, barato amigo, o que achaste ?

Uniu-se aos espíritos malevolentes, escarnecendo a democracia
Tragou o fumo dos soldados valentes, mas escarrou na própria utopia
Ah, não és um prodígio, és falsa harmonia. Tens a vontade, mas falta o ato
Sai do espelho arco-íris, por ti. Vence a luta e faz a fato, por mim.

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_____________________ João Guilherme M. M. de Almeida

Outra poesia.. Talvez um pouco subjetiva, mas é isso aí...

Obs: Um olhar mais atento vai notar que juntando a primeira letra de cada frase, uma frase é formada..!

sábado, novembro 11, 2006

para conhecer é preciso viver!


Só conhece a verdadeira felicidade quem já provou da maior tristeza
Não existe bem sem mal
Não há certo sem errado
Dois lados de uma mesma moeda
A alegria precisa da raiva, e a raiva da alegria
Quem quer ser feliz um dia
Tem q cheirar a rosa sem medo de seus espinhos
A coragem não está em não ter medos
E sim em enfrentá-los
concluindo...
VIVA!! não se lamente dos momentos ruins
Pois sem eles você não reconheceria os bons

Neto Robatto

texto e imagem feitos por: Neto Robatto

quarta-feira, novembro 08, 2006

Imaginação

Quem precisa de drogas, quando se tem uma imaginação que voa alto?

Desenho cheio de detalhes... momento de viajem total...
então não se tem muito o que dizer sobre ele
... é isso...
Apenas uma observação importante; não fumem, nem usem drogas...
hauhaua
Desenho de Gabriel [bob] Nascimento ---> Eu... O.o

sexta-feira, novembro 03, 2006

Cárcere dos Pecados



Cárcere Dos Pecados

Cansei do cárcere dos pecados
Não houve ressurreição que resolvesse
Não houve lição que aprendessem,
Continuam todos errados.

A lança que me perfurou...
Não houve quem precavesse
Não houve ninguém que entendesse
Que perfuraram o amor...

Não vi nenhuma melancolia
Na multidão de olhares mascarados
No batalhão de olhares embriagados
Que exortavam alegria.

Estava o amor pregado
Sem que uma só alma interviesse,
Sem que eles com calma quisessem
Deixar-me deles exilado.

Guardei dentro de mim o pecado alheio,
Tranquei as coisas abomináveis, o universo...
Guardei debaixo de sete chaves tudo que não é certo...
Abrirei tudo isto, sem dó e nem receio.

Pedi-te para os perdoar
Mas me crucificam todos os dias,
Bebem todo o meu sangue, que dei com minhas alegrias!
Sei que pedi para perdoá-los... mas
Quando virá, Pai, o dia de crucificá-los?



____________________________ João Guilherme M. M. de Almeida

Lalala.. postei um dia antes do usual porque vou viajar hoje à tarde!
É um poema bem simples! =]
Abraços!
____________________________
Simples mas complexo, o dsenho ficou legal, mas não sei se atende completamente a
mensagem do poema...
bem ta ai.
só pra constar, o desenho é meu[bob]...
____________________Gabriel Bob Nascimento